domingo, 3 de setembro de 2017

CRISE AFETA EXPORTAÇÃO DE PESCADO PRODUZIDO NO RN


A exportação de pescado pelo Rio Grande do Norte registrou queda no volume de carga e faturamento nos últimos dois anos. O quantitativo de peixes – principalmente atum e espadarte (meca) - e crustáceos enviados para o exterior caiu 42% (de 2,8 mil para 1,6 mil toneladas) entre 2015 e 2016. A arrecadação das empresas pesqueiras, consequentemente, também caiu. Dos 25,6 milhões de dólares comercializados em 2015, a movimentação caiu para 14,9 milhões de dólares no ano passado. Fenômenos naturais, oscilação do dólar e redução da malha aérea aumentaram o custo de produção e são apontados como causadores da redução dos números.

Marcelo Moreno/Repórter
Atum e espadarte Foto de: meca

Apesar do referido quadro, o RMNse posiciona como o maior exportador de pescados do país, de acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca (SAPE/RN) e Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). A expectativa para este ano é que haja recuperação das exportações, visto que, de janeiro a julho, o estado conseguiu exportar 1,3 mil toneladas e gerar 9,7 milhões de dólares em negócios. Especialistas, apontam que a situação poderia ser diferente, caso o governo federal observasse o setor como prioritário para o desenvolvimento econômico e flexibilizasse a legislação aduaneira específica para o pescado.

Entre as espécies de peixes exportadas, o estado potiguar se destaca pela grande produção de atum e espadarte, popularmente conhecido como meca. Devido à localização territorial, que recebe as correntes marinhas que trazem as espécies de peixes para a costa, o estado é responsável por 80% de todos os atuns nobres capturados nos mares brasileiros. Como principal uso para os compradores, os pescados por aqui comercializados servem na preparação de sushi e sashimi, prioritariamente.

Exportadores ouvidos pela reportagem indicam que metade de toda a produção vai para o exterior e o restante serve o mercado interno. Entre os maiores importadores nacionais estão os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, de acordo com dados do Centro Internacional de Negócios (CIN/Fiern).

O segmento pesqueiro, como qualquer outro, está sujeito às variáveis que podem ampliar ou reduzir a capacidade de gerar divisas com os produtos exportados. Nos últimos sete anos, as exportações pesqueiras do RN oscilaram entre ganhos e perdas, movidas por questões conjunturais que envolvem fenômenos naturais e o comportamento economia mundial. O secretário adjunto da Sape/RN, Alberto Cortez, cita como exemplo os reflexos da crise de 2008 que atingiu os Estados Unidos, o principal importador do pescado potiguar.

"Nos Estados Unidos, várias famílias deixaram de jantar fora de casa. Então, milhares de restaurantes foram fechados. Isso afetou significativamente nas exportações de pescados e de outras iguarias", justifica Cortez. Depois dos EUA, os países da União Europeia, como Reino Unido e Portugal, seguem como maiores compradores de pescados oriundos do RN, diz o CIN/Fiern.

Mesmo com o cenário de perdas, Alberto Cortez acredita no crescimento do setor a partir do próximo mês. "Esperamos que haja uma reação. Afinal de contas, a safra do atum começa agora em outubro, pode ser que no último trimestre haja uma recuperação. Mesmo com a crise e com as dificuldades, o estado do continua como principal exportador de atuns e espadartes do Brasil", afirma.


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