A exportação de pescado pelo Rio Grande do
Norte registrou queda no volume de carga e faturamento nos últimos dois
anos. O quantitativo de peixes – principalmente atum e espadarte (meca)
- e crustáceos enviados para o exterior caiu 42% (de 2,8 mil para 1,6
mil toneladas) entre 2015 e 2016. A arrecadação das empresas pesqueiras,
consequentemente, também caiu. Dos 25,6 milhões de dólares
comercializados em 2015, a movimentação caiu para 14,9 milhões de
dólares no ano passado. Fenômenos naturais, oscilação do dólar e redução
da malha aérea aumentaram o custo de produção e são apontados como
causadores da redução dos números.
Marcelo Moreno/Repórter
Atum e espadarte Foto de: meca
Apesar do referido quadro, o RMNse posiciona como o maior exportador de
pescados do país, de acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e
Pesca (SAPE/RN) e Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
(MDIC). A expectativa para este ano é que haja recuperação das
exportações, visto que, de janeiro a julho, o estado conseguiu exportar
1,3 mil toneladas e gerar 9,7 milhões de dólares em negócios.
Especialistas, apontam que a situação poderia ser diferente, caso o
governo federal observasse o setor como prioritário para o
desenvolvimento econômico e flexibilizasse a legislação aduaneira
específica para o pescado.
Entre as espécies de peixes exportadas, o
estado potiguar se destaca pela grande produção de atum e espadarte,
popularmente conhecido como meca. Devido à localização territorial, que
recebe as correntes marinhas que trazem as espécies de peixes para a
costa, o estado é responsável por 80% de todos os atuns nobres
capturados nos mares brasileiros. Como principal uso para os
compradores, os pescados por aqui comercializados servem na preparação
de sushi e sashimi, prioritariamente.
Exportadores ouvidos pela reportagem indicam
que metade de toda a produção vai para o exterior e o restante serve o
mercado interno. Entre os maiores importadores nacionais estão os
estados de São Paulo e Rio de Janeiro, de acordo com dados do Centro
Internacional de Negócios (CIN/Fiern).
O segmento pesqueiro, como qualquer outro,
está sujeito às variáveis que podem ampliar ou reduzir a capacidade de
gerar divisas com os produtos exportados. Nos últimos sete anos, as
exportações pesqueiras do RN oscilaram entre ganhos e perdas, movidas
por questões conjunturais que envolvem fenômenos naturais e o
comportamento economia mundial. O secretário adjunto da Sape/RN, Alberto
Cortez, cita como exemplo os reflexos da crise de 2008 que atingiu os
Estados Unidos, o principal importador do pescado potiguar.
"Nos Estados Unidos, várias famílias deixaram
de jantar fora de casa. Então, milhares de restaurantes foram fechados.
Isso afetou significativamente nas exportações de pescados e de outras
iguarias", justifica Cortez. Depois dos EUA, os países da União
Europeia, como Reino Unido e Portugal, seguem como maiores compradores
de pescados oriundos do RN, diz o CIN/Fiern.
Mesmo com o cenário de perdas, Alberto Cortez
acredita no crescimento do setor a partir do próximo mês. "Esperamos que
haja uma reação. Afinal de contas, a safra do atum começa agora em
outubro, pode ser que no último trimestre haja uma recuperação. Mesmo
com a crise e com as dificuldades, o estado do continua como principal
exportador de atuns e espadartes do Brasil", afirma.
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